Durante muito tempo, venderam ao trabalhador brasileiro a ideia de que viver cansado era normal. Que trabalhar seis dias seguidos, dormir pouco, sentir dores constantes e quase não ter tempo para a própria família fazia parte “da vida adulta”. Aos poucos, transformaram o esgotamento em rotina, a ausência dentro de casa em costume e o sofrimento físico e mental em obrigação.
Mas isso não é normal. Não é normal sair de madrugada e voltar sem ver os filhos acordados. Não é normal depender do domingo para tentar recuperar um corpo cansado do pela semana exaustiva. E muito menos é normal trabalhar tanto e, ainda assim, viver sem tempo para estudar, descansar, amar, cuidar da saúde ou simplesmente existir.
É justamente por isso que a luta pelo fim da escala 6×1 ganhou as ruas, as redes sociais, os sindicatos e o centro do debate nacional. Agora, essa discussão chega a um momento decisivo. No próximo dia 27 de maio, a comissão da Câmara Federal deverá analisar tanto o projeto enviado pelo governo federal quanto as propostas de emenda constitucional que tratam da redução da jornada de trabalho.
É uma oportunidade histórica para modernizar as relações de trabalho no Brasil e, acima de tudo, colocar a saúde do trabalhador e a qualidade como prioridades.
Diante disso, é importante lembrar que nenhum direi-to trabalhista caiu do céu. Cada conquista foi resulta-do de mobilização popular, organização e luta coletiva. Agora, o fim da escala 6×1 representa o próximo passo dessa caminhada histórica. E, para que essa mudança finalmente saia do papel, será necessária pressão popular, mobilização e coragem coletiva.
O Brasil precisa decidir, de uma vez por todas, se continuará aceitando uma lógica que adoece seu povo ou se terá coragem de colocar a vida acima da exploração.