O Brasil, durante muito tempo, tratou o descanso como luxo e o cansaço como mérito. Trabalhar até a exaustão virou sinônimo de caráter. Descansar, quase um desvio moral. Criou-se, assim, uma lógica perversa: quem aguenta mais sofrimento seria mais digno; quem precisa parar, mais fraco.
A escala 6×1 nasce diretamente dessa mentalidade. Ela não existe porque seja moderna, eficiente ou produtiva. Existe porque o patronato naturalizou a ideia de que o trabalha dor deve ser explorado até o limite físico, mental e emocional.
Por isso, quando o presidente Lula afirma, em recente entre vista ao site UOL, que está claro que o país precisa mudar sua jornada de trabalho, ele não está “criando um problema”. Está, na verdade, dando nome a um problema antigo, estrutural, que sempre esteve aí, mas que muitos preferiram fingir que não existia.
A pergunta central não é se o Brasil pode acabar com a escala 6×1. A pergunta incômoda é outra: por que demoramos tanto para enfrentar essa discussão? Direito ao descanso é direito à saúde. É direito à convivência familiar. É direito ao lazer, ao es tudo, ao tempo livre. É, sobretudo, direito à vida fora da fábrica, do balcão, do escritório e do aplicativo. O movimento sindical sabe disso há décadas. Essa não é uma pauta nova, nem uma moda importa da. É uma reivindicação histórica de quem sempre esteve do lado de quem produz a riqueza deste país.
Agora, mais do que clareza política, é hora de mudança concreta. Porque viver não pode ser privilégio de quem não precisa trabalhar. Reduzir a jornada é respeitar quem trabalha. É garantir saúde. É afirmar dignidade. É fazer justiça socia